De acordo com o testemunho de
George Thompson- um inglês que lutou como oficial no Exército paraguaio-
Solano López confiava em que, nesse momento, uma esmagadora vitória pudesse empurrar o inimigo de volta ao
rio Paraná- decidindo a guerra a seu favor. Os seus oficiais, ao contrário, pareciam céticos quanto à possibilidade de bater um inimigo mais numeroso; em um terreno mais adequado à defesa, uma vez que os aliados acamparam nos
pântanos ao redor do lago Tuiuti. Sem levar essas ponderações em conta, López reuniu o maior contingente de tropas que conseguiu, aprontando-o para o ataque.
A batalha iniciou-se por volta das 11 horas, estendendo-se por seis horas. O efetivo paraguaio atacou, distribuído em três colunas: a do centro, com um pouco mais de cinco mil homens, lançou-se sobre a vanguarda aliada, composta por três batalhões uruguaios e mais unidades de reforço brasileiras. As alas, cada uma com cerca de nove mil homens, tentaram realizar uma manobra de cerco sobre o Exército Imperial brasileiro (à esquerda) e o Exército Argentino (à direita) nos flancos do acampamento aliado.
Para os aliados houve surpresa, confusão, ausência do comandante em chefe (General Mitre), imprevidência; risco de derrota em vários momentos da luta. Porém, com o recrudescer dos combates e a iniciativa dos diversos escalões (companhias, batalhões, regimentos e brigadas) - aos poucos a batalha adquire personalidade própria e se transforma de quase derrota em expressiva vitória, na medida em que se agiganta a figura do
General Osorio, intervencionando diretamente na luta. Na verdade, ele assumiu o comando-chefe da batalha do Tuiutí; é seu chefe máximo.
A batalha culminou com uma expressiva vitória dos aliados. As avaliações sobre as perdas variam de fonte para fonte, mas todas concordam e são enfáticas em apresentar Tuiuti como um túmulo para o Exército paraguaio. As suas perdas estimadas foram de seis mil homens, entre oficiais e soldados; os feridos e capturados ultrapassaram seis mil homens. Algumas unidades, como o 40° Batalhão de Infantaria, foram aniquiladas.
Entre os aliados, as perdas estimadas ultrapassaram os quatro mil homens. No
Exército brasileiro contavam-se entre 719 e 736 mortos, além de 2.292 feridos. Entre os mortos encontrava-se o general
Antônio de Sampaio, comandante da 3a. Divisão de Infantaria. As baixas no Exército Argentino elevaram-se a 126 mortos e 480 feridos. As do
Uruguai, a 133 mortos e 299 feridos.
Embora diante dessa verdadeira tragédia, ao final da batalha os aliados ainda possuíam uma força relativamente grande de combate, ao contrário de López que- dali por diante- nunca mais conseguiu reunir uma força daquela magnitude para combater.
Com a vitória, as tropas aliadas ficaram firmemente estabelecidas em território inimigo.
Desde então sem condições humanas para se bater em campo aberto, a Solano López restava resistir entrincheirado nas fortificações -
Fortaleza de Curupaiti e
Fortaleza de Humaitá - , com a esperança de poder desgastar as forças inimigas.
Fonte: - livro: Tuiuti Osorio
Postado por Maieski